Blog do almir

Socialismo no Século 21

11 de julho de 2009

Golpe militar em Honduras ns detalhes por Fidel Castro

Um erro suicida   

• NA reflexão escrita na noite da quinta-feira 25, há três dias, disse: “Ignoramos o que acontecerá esta noite ou amanhã em Honduras, mas o comportamento valoroso de Zelaya passará à história”. 

Dois parágrafos antes tinha assinalado: “… Aquilo que lá acontecer será uma prova para a OEA e para a atual administração dos Estados Unidos”.   

A pré-histórica instituição interamericana se tinha reunido no dia seguinte em Washington, e numa apagada e fraca resolução prometeu realizar as gestões pertinentes imediatamente para procurar uma harmonia entre as partes em conflito. Quer dizer, uma negociação entre os golpistas e o presidente constitucional de Honduras.    

O alto chefe militar, que continuava comandando as Forças Armadas Hondurenhas, fazia pronunciamentos públicos em discrepância com as posições do presidente, enquanto só de um modo meramente formal reconhecia a sua autoridade.   

Não precisavam os golpistas outra coisa da OEA. Não lhes importou nada à presença de um grande número de observadores internacionais que viajaram a esse país para dar fé de uma consulta popular, aos quais Zelaya falou até altas horas da noite. Antes do amanhecer de hoje eles lançaram ao redor de 200 soldados profissionais bem treinados e armados contra a residência do presidente, os que separando brutalmente a esquadra de Guarda de Honra seqüestraram Zelaya, quem dormia nesse momento, foi conduzido à base aérea, foi montado pela força num avião e o transportam a um aeroporto na Costa Rica.    

Às 8h30 da manhã, conhecemos por Telesul a notícia do assalto à casa presidencial e o seqüestro. O presidente não pôde assistir ao ato inicial da consulta popular que aconteceria neste domingo. Era desconhecido o que tinham feito com ele.     

A emissora da televisão oficial foi silenciada. Desejavam impedir a divulgação prematura da traiçoeira ação através de Telesul e Cubavisión Internacional, que informavam dos fatos. Suspenderam por isso os centros de retransmissão  e acabaram cortando a eletricidade a todo o país. Ainda o Congresso e os altos tribunais envolvidos na conspiração não tinham publicado as decisões que justificavam o conluio. Primeiro levaram a cabo o inqualificável golpe militar e depois o legalizaram.     

O povo acordou com os fatos consumados e começou a reagir com grande indignação.

Não se conhecia o destino de Zelaya. Três horas depois, a reação popular era tal que foi visto mulheres batendo com o punho aos soldados, cujos fuzis quase caiam das suas mãos por puro desconcerto e nervosismo. Inicialmente os seus movimentos pareciam os de um estranho combate contra fantasmas, depois tentavam cobrir com as mãos as câmaras de Telesul, apontavam tremendo os fuzis contra os repórteres, e às vezes, quando as pessoas avançavam, os soldados recuavam. Enviaram transportadores blindados com canhões e metralhadoras. A população discutia sem medo com  os soldados dos blindados; a reação popular era surpreendente.    

Ao redor das duas horas da tarde, em coordenação com os golpistas, uma maioria domesticada do Congresso depôs Zelaya, presidente cnstitucional de Honduras, e designou um novo chefe de Estado, afirmando ao mundo que aquele tinha renunciado, apresentando uma falsificada assinatura. Minutos depois, Zelaya, desde um aeroporto na Costa Rica, informou tudo o acontecido e desmentiu categoricamente a notícia da sua renúncia. Os conspiradores fizeram o ridículo perante o mundo.      

Muitas coisas aconteceram hoje. Cubavisión dedicou-se completamente a desmascarar o golpe, informando o tempo todo a nossa população.   

Houve fatos de carácter totalmente fascista que não por esperados deixam de surpreender.

A ministra das Relações Exteriores de Honduras, Patrícia Rodas, foi depois de Zelaya o objetivo fundamental dos golpistas. Outro destacamento foi enviado a sua residência. Ela, valente e decidida, agiu rapidamente, não perdeu um minuto em denunciar por todos os meios o golpe. O nosso embaixador tinha estabelecido contato com Patrícia para conhecer a situação, como o fizeram outros embaixadores. Num momento determinado pediu aos representantes diplomáticos da Venezuela, Nicarágua e Cuba reunir-se com ela, que, ferozmente acossada, precisava de proteção diplomática. O nosso embaixador, que desde o primeiro instante estava autorizado a oferecer o máximo apoio à ministra constitucional e legal, partiu para visitá-la na sua própria residência. 

Quando estavam já na sua casa, o comando golpista enviou o major Oceguera para prendê-la. Eles se colocaram diante da mulher e lhe dizeram que está sob a  proteção diplomática, e só podia mover-se em companhia dos embaixadores. Oceguera discutiu com eles e o fez de maneira respeitosa. Minutos depois penetraram na casa entre 12 e 15 homens uniformizados e encapuzados. Os três embaixadores se abraçaram a Patrícia; os mascarados agiram de forma brutal e conseguiram separar os embaixadores da Venezuela e da Nicarágua; Hernández a pegou tão fortemente por um dos braços, que os mascarados arrastaram a ambos até um furgão ; levaram-nos à base aérea onde conseguiram separá-los, e levaram-na com eles. Estando ali detido, Bruno que tinha notícias do sequestro,  se comunicou com ele através do celular; um mascarado tentou arrebatar-lhe rudemente o telefone,  o embaixador cubano que já tinha sido batido em casa de Patrícia, grita-lhe: “Não me empurre, Porra!” Não me lembro se a palavra que pronunciou fosse alguma vez usada por Cervantes, mas sem dúvida o embaixador Juan Carlos Hernández enriqueceu a nossa língua.   

Depois o deixaram numa estrada longe da missão e antes de abandoná-lo lhe disseram que, se falava, poderia acontecer-lhe alguma coisa pior. “Nada é pior  do que a morte!”, respondeu-lhes com dignidade, “e não por isso sinto medo de vocês”.  Os moradores da área o ajudaram a voltar à embaixada, desde onde imediatamente comunicou-se mais uma vez com Bruno.       

Com esse alto comando golpista que não se pode negociar, é necessário exigir-lhe a renúncia e que outros oficiais mais jovens e não comprometidos com a oligarquia ocupem o comando militar, ou não haverá jamais um governo “do povo, pelo povo e para o

Povo” em Honduras.     

O golpistas, encurralados e isolados, não têm salvação possível se o problema se encara com firmeza.   

Até a senhora Clinton declarou já em horas da tarde que Zelaya é o único presidente de Honduras, e os golpistas hondurenhos nem sequer respiram sem o apoio dos Estados Unidos.      

De pijamas até há algumas horas, Zelaya será reconhecido pelo mundo como o único presidente constitucional de Honduras.

Fidel Castro Ruz, 28 de junho de 2009, 18h 14min

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22 de junho de 2009

Ética para a nova era - Leonardo Boff

Nenhuma sociedade no passado ou no presente vive sem uma ética. Como seres sociais, precisamos elaborar certos consensos, coibir certas ações e criar projetos coletivos que dão sentido e rumo à história. Hoje, devido ao fato da globalização, constata-se o encontro de muitos projetos éticos nem todos compatíveis entre si. Face à nova era da humanidade, agora mundializada, sente-se a urgência de um patamar ético mínimo que possa ganhar o consentimento de todos e assim viabilizar a convivência dos povos. Vejamos, suscitamente, como na história se formularam as éticas.

Uma permanente fonte de ética são as religiões. Estas animam valores, ditam comportamentos e dão significado à vida de grande parte da humanidade que, a despeito do processo de secularização, se rege pela cosmovisão religiosa. Como as religiões são muitas e diferentes, variam também as normas éticas. Dificilmente se pode fundar um consenso ético, baseado somente no fator religioso. Qual religião tomar como referência? A ética fundada na religião possui, entretanto, um valor inestimável por referi-la a um último fundamento que é o Absoluto.

A segunda fonte é a razão. Foi mérito dos filósofos gregos terem construído uma arquitetônica ética fundada em algo universal, exatamente na razão, presente em todos os seres humanos. As normas que regem a vida pessoal chamaram de ética e as que presidem a vida social chamaram de politica. Por isso, para eles, politica é sempre ética. Não existe, como entre nós, politica sem ética.

Esta ética racional é irrenunciável mas não recobre toda a vida humana, pois existem outras dimensões que estão aquém da razão como a vida afetiva ou além como a estética e a experiência espiritual.

A terceira fonte é o desejo. Somos seres, por essência, desejantes. O desejo possui uma estrutura infinita. Não conhece limites e é indefinido por ser naturalmente difuso. Cabe ao ser humano dar-lhe forma. Na maneira de realizar, limitar e direcionar o desejo, surgem normas e valores. A ética do desejo se casa perfeitamente com a cultura moderna que surgiu do desejo de conquistar o mundo. Ela ganhou uma forma particular no capitalismo no seu afã de realizar todos os desejos. E o faz excitando de forma exacerbada todos os desejos. Pertence à felicidade, a realização de desejos mas, atualmente, sem freios e controles, pode pôr em risco a espécie e devastar o planeta. Precisamos incorporá-la em algo mais fundamental.

A quarta fonte é o cuidado, fundado na razão sensível e na sua expressão racional, a responsabilidade. O cuidado está ligado essencialmente à vida, pois esta, sem o cuidado, não persiste. Dai haver uma tradição filosófica que nos vem da antiguidade (a fábula-mito 220 de Higino) que define o ser humano como essencialmente um ser de cuidado. A ética do cuidado protege, potencia, preserva, cura e previne. Por sua natureza não é agressiva e quando intervem na realidade o faz tomando em consideração as consequências benéficas ou maléficas da intervenção. Vale dizer, se responsabiliza por todas as ações humanas. Cuidado e responsabilidade andam sempre juntos.

Essaa ética é hoje imperativa. O planeta, a natureza, a humanidade, os povos, o mundo da vida (Lebenswelt) estão demandando cuidado e responsabilidade. Se não transformarmos estas atitudes em valores normativos dificilmente evitaremos catástrofes em todos os níveis. Os problemas do aquecimento global e o complexo das varias crises, só serão equacionados no espírito de uma ética do cuidado e da responsabilidade coletiva. É a ética da nova era.

A ética do cuidado não invalida as demais éticas mas as obriga a servir à causa maior que é a salvaguarda da vida e a preservação da Casa Comum para que continue habitável.

O Ieólogo Leonardo Boff é autor de Saber cuidar. Etica do humano, compaixão pela Terrra, Vozes.

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30 de março de 2009

Reflexões de Fidel A China, a futura grande potência econômica

Reflexões de Fidel
A China, a futura grande potência econômica

• NESTES dias muitos telexes falam do potencial econômico da China.

Ontem 28 de março foi a principal agência de notícias norte-americana a que reconhece que a “China é a única economia importante que continua crescendo com força no mundo…

“Em seu segundo reproche à liderança estadunidense em uma semana continua o telex, não muito amável no fim do parágrafo, o governador do banco central chinês, Zhou Xiaochuan, assegurou que a rápida resposta da China à fase de contração econômica internacional incluindo um pacote de estímulo equivalente a 586 bilhões de dólares tem demonstrado a superioridade de seu sistema político, autoritário e uni-partidarista.”

A agência AP divulga logo as palavras textuais do governador do banco central chinês:

“Os fatos são evidentes e demonstram que comparativamente com outras economias importantes, o governo chinês tem adotado medidas políticas pontuais, firmes e eficazes, demonstrando a vantagem de seu sistema…”, tomadas de umas declarações de Zhou que segundo afirma a agência foram difundidas no sítio da internet do Banco Popular da China.

“Quando faltam duas semanas para a cúpula do Grupo dos 20 países de economias mais importantes (G20), acrescenta o telex a 2 de abril em Londres, Zhou fez um apelo aos demais governos que participarão para que outorguem a seus ministros de finanças e bancos centrais toda a autoridade para que possam ‘agir audaz e eficazmente, sem ter que passar através de um processo de aprovação longo ou inclusive doloroso’.

“A deixou bem clara sua aspiração: quer um dólar estadunidense estável e inclusive tem defendido a criação de outra moeda mundial paralela. Beijing se opõe ao protecionismo continua essa agência e está exigindo que lhe emprestem mais ouvidos sobre como se regulam os sistemas financeiros e como são resgatados, enquanto se abstém de fazer qualquer promessa de novos planos de resgate ou estímulo em seu próprio solo.

Na parte final de seu telex, expressa:

“… o Primeiro-ministro chinês Wen Jiabao instou Washington para que a união norte-americana continue sendo ‘uma nação acreditável’.

“Em outras palavras, Beijing deseja que Washington evite estimular a inflação com uma despesa excessiva do governo em pacotes de salvamento e estímulo.”

Pelo que se pode constatar, a influência da República Popular China na reunião de Londres será enorme do ponto de vista econômico face à crise mundial. Isso não tinha acontecido nunca antes quando o poder dos Estados Unidos reinava totalmente nesse âmbito.

Por outro lado, em nosso hemisfério resulta divertido ver como se agitam as entranhas do império, pleno de problemas e contradições insuperáveis com os povos da América Latina, aos quais pretende dominar eternamente.

Aqueles que lerem as declarações do piedoso católico Joe Biden em Viña del Mar, que descarta levantar o bloqueio econômico a Cuba, suspirando por uma transição interna que em nosso país seria francamente contra-revolucionária, ficarão surpreendidos. Seus lamentos plangentes dão lástima, especialmente quando não existe um só governo latino-americano e caribenho que não veja nessa medida antediluviana um lastre do passado. Que ética subsiste na política dos Estados Unidos? Quanto resta de cristão no pensamento político do Vice-presidente Biden?

Fidel Castro Ruz
29 março de 2009
15h43 •

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10 Milhões de crianças DESNUTRIDAS por aumento de preços de alimentos

Dez milhões de crianzas desnutridas por aumento de preços de alimentos
Uns 400 mil menores morreriam para finais de ano

Dez milhões de crianzas desnutridas por aumento de preços de alimentos• LONDRES. — A crise econômica internacional provocou desnutrição a mais de dez milhões de crianças, devido ao aumento global nos preços dos alimentos e pode causar a morte de até 400 mil delas para finais de ano, sustentou em 28 de março num relatório o grupo britânico Save the Children (Salvem as crianças), citado pela ANSA.

O organismo não-governamental com sede em Londres advertiu aos chefes de Estado e governantes do G-20, que se reunirão em 2 de abril numa cúpula mundial aqui, que devem resolver o problema da crescente pobreza mundial “no menor tempo possível”.

Segundo o grupo, milhões de crianças estão em perigo de fome devido ao impacto da recessão mundial, especialmente nos países em desenvolvimento, combinado com o contínuo aumento dos preços dos alimentos.

“Cerca de 3,5 milhões de crianças morrem por ano devido à desnutrição. A crise econômica internacional poderia matar outros 2,8 milhões antes de 2015, o ano em que os líderes do G-20 tinham prometido erradicar a extrema pobreza e a fome no mundo”, sublinhou a ONG. •

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6 de fevereiro de 2009

A crise econômica, a redução do salário eo desemprego

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No final de 2008 em Beijing, na reunião da Associação de Nações Européias e Asiáticas em que participaram 43 países desses dois continentes para entre outros assuntos discutirem a grave crise econômica que se iniciava, na qual destacamos a fala do presidente francês Sarkozi amplamente divulgada pela imprensa mundial a época: “O mundo vai mal, encara uma crise financeira sem precedentes por sua magnitude, rapidez, violência e suas conseqüencias sobre o meio ambiente põem em causa a sobrevivência da humanidade, 900 milhões de pessoas não tem os meios de se alimentarem.”

Agora em 2009 se observa diariamente na mídia o anúncio de demissões de trabalhadores, inclusive nas maiores empresas do mundo leia-se General Motors, Microsoft etc…,a própria OIT, um organismo conservador faz previsões de 50 milhões demissões de trabalhadores esse ano e no Brasil não é diferente, nossa imprensa também todos os dias nos da notícias de demissões em empresas. Então começam a se observar na mesma mídia propostas aqui e acolá para que os países consigam atravessar essa grave crise do mundo capitalista, iniciaram com propostas de mega ajudas governamentais, bilhões de dólares de contribuintes do mundo inteiro para empresas não falirem de vez, ou seja dinheiro publico indo para o setor privado, ou pior ainda dinheiro dos trabalhadores do mundo inteiro indo para seus patrões na forma de ajuda governamental.

Nenhuma novidade até aqui, certamente não é a primeira nem será a ultima crise do capitalismo e dos capitalistas e de seu socorro com dinheiro público, mas sua sede é muito maior e o mais grave do ponto de vista dos trabalhadores, são as propostas que agora começam pipocar como a redução de salários dos trabalhadores, ou seja os trabalhadores que já não terão mais de volta em benefícios sociais seus impostos, agora estão sendo solicitados pelos capitalistas a darem também seu sangue, com a chamada redução de salários como se essa jogatina mundial dos capitalistas onde muitos perderam, mas alguém ganhou, fosse culpa dos trabalhadores do mundo e agora com seus suores e lagrimas devessem resolver a tal crise pelos capitalistas produzida, e o mais grave não se vê uma central sindical, uma organização de esquerda levantando sua voz em favor dos trabalhadores.

Os trabalhadores do mundo não podem e não devem se submeter a essa usurpação de seus direitos, até porque as crises do capitalismo são cíclicas e como essa virão outras, juntando-se aos 900 milhões que já passam fome, mais os 50 talvez 100 milhões que ficarão sem emprego ainda esse ano, teremos em 2010 um bilhão de pessoas no mundo todo com capacidade de produzir desempregadas, outros tantos milhões ganhando talvez a metade do que recebiam como salários até 2008, essa é a triste realidade que está sendo imposta. Recentemente publicado no jornal Granma em Cuba, em suas reflexões, o comandante Fidel Castro escreveu:”Quando um povo deixa atrás o analfabetismo, sabe ler e escrever, e possui um mínimo indispensável de conhecimentos para viver e produzir honradamente, faltar-lhe-ia vencer ainda a pior forma de ignorância em nossa época – o analfabetismo econômico. Só assim poderíamos saber o que está acontecendo no mundo”.

Almir Néry

em 06/02/09

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27 de outubro de 2008

O ANALFABETISMO ECONÔMICO - PARTE 02

…presidente da Assembléia Geral da ONU, demandava que o problema da crise financeira não fosse discutido no G-20 entre os países mais ricos e um grupo de nações emergentes, mas nas Nações Unidas.
Existem desacordos acerca do lugar e da reunião onde deve ser adotado um novo sistema financeiro que ponha fim ao caos e a ausência total de segurança para os povos. Existe grande temor de que os países mais ricos do mundo, reunidos com um grupo reduzido de países emergentes golpeados pela crise financeira, aprovem um novo Bretton Woods ignorando o resto do mundo. O presidente Bush declarou ontem que "os países que discutirão aqui, no mês próximo, sobre a crise global também devem voltar a se comprometerem com os fundamentos do crescimento econômico a longo prazo: mercados livres, livre empresa e livre comércio."
Os bancos emprestavam dezenas de dólares por cada dólar depositado pelos poupadores. Multiplicavam o dinheiro. Respiravam e transpiravam por todos os poros… Qualquer contração os conduzia à falência ou à absorção por outros bancos. Era preciso salvá-los, sempre a custa dos contribuintes. Fabricavam enormes fortunas. Seus privilegiados acionistas majoritários podiam pagar qualquer quantidade por qualquer coisa.
Shi Jianxun, professor da Universidade de Tongui, Shanghai, declarou em um artigo que publicou na edição exterior do Diário do Povo, que "a crua realidade tem levado a pessoas, no meio do pânico, a repararem que os Estados Unidos têm utilizado a hegemonia do dólar para pilhar as riquezas do mundo. Urge mudar o sistema monetário internacional baseado na posição dominante do dólar."
Com poucas palavras explicou o papel essencial das moedas nas relações econômicas internacionais. Assim vinha acontecendo há séculos entre a Ásia e a Europa: lembremos que o ópio foi imposto a China como moeda. Disso falei quando escrevi "A vitória chinesa".
Nem sequer prata metálica, com a qual pagavam inicialmente os espanhóis desde sua colônia nas Filipinas os produtos adquiridos na China, desejavam receber as autoridades desse país, porque se desvalorizava progressivamente devido a sua abundância no chamado Novo Mundo recém conquistado pela Europa. Até vergonha sentem hoje os governantes europeus pelas coisas que impuseram a China durante séculos.
As atuais dificuldades nas relações de intercâmbio entre esses dois continentes devem se resolver, segundo o critério do economista chinês, com euros, libras, ienes e iuanes. Não há dúvidas que a regulação razoável entre essas quatro moedas ajudaria o desenvolvimento de relações comerciais justas entre a Europa, a Grã-Bretanha, o Japão e a China.
Estariam incluídos nesse contexto o Japón e a Alemanha ―dois países produtores de sofisticados equipamentos de tecnologia avançada, tanto para a produção quanto para os serviços―, e o maior motor em potência da economia do mundo, a China, com ao redor de 1 400 milhões de habitantes e mais de 1,5 milhões de milhões de dólares em suas reservas de divisas convertíveis, que são em sua maioria dólares e bônus do Tesouro dos Estados Unidos. Segue-lhe o Japão, com quase as mesmas cifras de reservas em divisas.
Na atual conjuntura, incrementa-se o valor do dólar pela posição dominante dessa moeda imposta à economia mundial, justamente assinalada e rejeitada pelo professor de Shanghai.
Grande número de países do Terceiro Mundo, exportadores de produtos e matérias-primas com pouco valor agregado, somos importadores de produtos de consumo chineses, que soem ter preços razoáveis, e equipamentos do Japão e da Alemanha, os quais são cada vez mais caros. Mesmo quando a China tem tentado que o iuane não fique sobrevalorizado, como demandam sem cessar os ianques para protegerem suas indústrias da concorrência chinesa, o valor do iuane se incrementa e o poder aquisitivo de nossas exportações diminui. O preço do níquel, nosso principal produto de exportação, cujo valor atingiu mais de 50 mil dólares a tonelada não há muito tempo, nos últimos dias apenas ultrapassava os 8 500 dólares por tonelada, isto é, menos de 20 % do preço máximo alcançado. O do cobre se reduziu a menos de 50%; assim sucessivamente acontece com o ferro, alumínio, estanho, zinco e todos os minérios indispensáveis para um desenvolvimento sustentável. Os produtos de consumo, como café, cacau, açúcar e outros, para além de todo sentido racional e humano, em mais de 40 anos apenas incrementaram seus preços. Por isso, há bem pouco tempo eu advertia igualmente que, como conseqüência de uma crise que estava ao virar da esquina, os mercados se perderiam e o poder aquisitivo de nossos produtos se reduziria consideravelmente. Nessa circunstância, os países capitalistas desenvolvidos sabem que suas fábricas e serviços se paralisam, e só a capacidade de consumo de grande parte da humanidade já nos índices de pobreza, ou por debaixo deles, poderia mantê-los funcionando.
Esse é o grande dilema que coloca a crise financeira e o perigo de que os egoísmos sociais e nacionais prevaleçam por em cima das vontades de muitos políticos e estadistas angustiados perante o fenômeno. Não têm a menor confiança no próprio sistema do qual surgiram como homens públicos.
Quando um povo deixa atrás o analfabetismo, sabe ler e escrever, e possui um mínimo indispensável de conhecimentos para viver e produzir honradamente, faltar-lhe-ia vencer ainda a pior forma de ignorância em nossa época: o analfabetismo econômico. Só assim poderíamos saber o que está acontecendo no mundo.

Fidel Castro Ruz

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O ANALFABETISMO ECONÔMICO - PARTE 01

O analfabetismo econômico - parte 01

CHÁVEZ falou em Zúlia do "camarada Sarkozy", e o disse com certa ironia, mas sem ânimo de o ferir. Antes pelo contrário, quis reconhecer sua sinceridade quando, em sua condição de presidente rotativo da Comunidade de Países Europeus, falou em Beijing.
Ninguém proclamava o que todos os líderes europeus conhecem e não confessam: o sistema financeiro atual não presta e é preciso mudá-lo. O presidente venezuelano exclamou com franqueza:
"É impossível voltar a fundar o sistema capitalista, seria como uma tentativa de colocar a navegar o Titanic depois que está no fundo do Oceano."
Na reunião da Associação de Nações Européias e Asiáticas, em que participaram 43 países, Sarkozy fez confissões notáveis, segundo os telexes:
"O mundo vai mal, encara uma crise financeira sem precedentes por sua magnitude, rapidez, violência, e suas conseqüências sobre o meio ambiente põem em causa a sobrevivência da humanidade: 900 milhões de pessoas não têm os meios para se alimentarem.
"Os que participamos desta reunião representamos dois terços da população do planeta e metade de suas riquezas; a crise financeira começou nos Estados Unidos, mas é mundial e a resposta deve ser mundial."
"O lugar para uma criança de 11 anos não é a fábrica, mas a escola".
"Nenhuma região do mundo tem lição para dar a alguém." Uma clara alusão à política dos Estados Unidos.
No final recordou perante as nações da Ásia o passado colonizador da Europa nesse continente.
Se Granma tivesse subscrito essas palavras, diriam que se tratava de um clichê da imprensa oficial comunista.
A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse em Beijing que não se podia "prever a entidade e duração da crise financeira internacional em curso. Trata-se, nem mais nem menos, da criação de uma nova carta constitutiva das finanças." Nesse mesmo dia foram divulgadas notícias que revelam a incerteza geral desatada.
Na reunião de Beijing, os 43 países da Europa e da Ásia acordaram que o FMI deveria ter um papel importante assistindo os países gravemente afetados pela crise, e apoiaram uma reunião de cúpula inter-regional na busca da estabilidade a longo prazo e do desenvolvimento da economia do mundo.
O presidente do governo espanhol, Rodríguez Zapatero, declarou que "existia uma crise de responsabilidade em que uns poucos se enriqueceram e a maioria se está empobrecendo", que "os mercados não confiam nos mercados".  Fez um apelo para os países fugirem do protecionismo, convencido de que a concorrência faria com que os mercados financeiros jogassem seu papel. Ainda não foi oficialmente convidado à Cúpula em Washington pela atitude rancorosa de Bush, que não lhe perdoa a retirada das tropas espanholas do Iraque.
O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, apoiou sua advertência sobre o protecionismo.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pela sua vez, reunia-se com eminentes economistas para tratar de evitar que os países em desenvolvimento sejam as principais vítimas da crise.
Miguel D’Escoto, ex-ministro de Relações Exteriores da Revolução Sandinista e atual…CONTINUA
Fidel Castro em outubro 2008

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20 de maio de 2008

A ditadura do judiciário

19/05/2008 11:24:35
Wálter Fanganiello Maierovitch

O barão de Montesquieu, morto em 1755, foi um dos pensadores que ajudaram a moldar o ideal de separação, independência e harmonia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Inspirou também a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborada pela Revolução Francesa de 1789, a Constituição dos Estados Unidos de 1787 e inúmeras e vigentes constituições republicanas, inclusive a nossa.

Com o passar do tempo e os aperfeiçoamentos democráticos, foi identificada pela doutrina como patologia nos mecanismos montesquieunianos de freios e contrapesos a invasão de competência de um poder sobre o outro. Em outras palavras, a ditadura por um dos poderes do Estado. Como aquela que se assistiu, por exemplo, no Estado Novo de Vargas ou nos anos de chumbo dos governos militares, com o impedimento para o Judiciário examinar certos pedidos de habeas corpus em razão da matéria: crimes políticos.

Para muitos constitucionalistas europeus, a pior das ditaduras é a do Judiciário, um poder que não tem exércitos nem generais ou armas de fogo.

Fiel à doutrina e ao princípio da separação dos poderes e ao texto constitucional, o Supremo Tribunal Federal (STF), durante anos, entendeu que as medidas provisórias editadas pelo Executivo eram atos de natureza administrativa que só cabiam ao Legislativo chancelar ou recusar. Portanto, as questões de urgência, de relevância e de imprevisibilidade, bases constitucionais para edição de MPs, ficariam a juízo do Executivo e sujeitas ao referendo ou à recusa do Legislativo.

No governo FHC, pródigo como o de Lula na edição de MPs, em especial as de créditos extraordinários, prevaleceu essa lógica. Como garantia fixou-se o prazo de 60 dias para, com possibilidade de prorrogação, a caducidade de uma medida provisória e o bloqueio da pauta do Legislativo, a partir do 45º dia, para forçar o seu exame e evitar prejuízos.

Na quarta-feira 14, por 6 votos a 5, a jurisprudência do STF se alterou e a Justiça passará a examinar, numa subversão de atribuições, se uma MP é ou não emergencial. Em resumo, a atribuição típica do Executivo, com controle do Parlamento, passa a ser, em instância de cassação, examinada pelo Judiciário, na condição de fiscal de tudo.

O STF abriu uma senda perigosa. Do desequilíbrio entre os poderes e da invasão de competências. Aquilo que conduz à chamada Ditadura do Judiciário.
Wálter Fanganiello Maierovitch

Linha de Frente
Revista Carta Capital

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o Agronegocio, a amazônia e seus Lacaios Deputados

Ruralistas ganham mais força no Congresso Nacional
19/05/2008 - Os grandes proprietários rurais vêm ampliando a área de influência. Das 261 cadeiras dos 14 colegiados que tratam de questões relacionadas à questão ambiental, 92 estão ocupadas por deputados e senadores ligados ao agronegócio. A estratégia é povoar as comissões de meio ambiente para fragilizar a legislação ambiental.

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9 de abril de 2008

sempre é bom lembrar…

Frases de Che……
"Os poderosos podem matar uma, duas até três rosas, mas nunca deterão a primavera."

"Acima de tudo procurem sentir no mais profundo de vocês qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. É a mais bela qualidade de um Revolucionário."

"Não há fronteiras nesta luta de morte, nem vamos permanecer indiferentes perante o que aconteça em qualquer parte do mundo. A vitória nossa ou a derrota de qualquer nação do mundo, é a derrota de todos."

"Nossos filhos devem possuir as mesmas coisas que as outras crianças, mas eles devem também ser privados daquilo que falta às outras crianças".

"Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra".

"Não nego a necessidade objetiva do estímulo material, mas sou contrário a utilizá-lo como alavanca impulsora fundamental. Porque então ela termina por impor sua própria força às relações entre os homens."

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